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sábado, 18 de junho de 2016

A biografia resumida do missionário José Sartírio dos Santos



Por Ivaldo Cruz

José Satírio Satírio dos Santos narceu numa pequena cidade do nordeste brasileiro (Marechal Deodoro, 28 km de Maceió, AL).

 Desde muito pequeno, ele ouvia de sua mãe uma frase sempre repetida em algumas ocasiões: - José, você ainda será um servo de Deus! Antes da conversão de seu pai, ele e seus irmãos acompanhavam sua mãe aos cultos. Assim, as orações, os cânticos animados e as pregações inflamadas marcaram sua infância humilde, inclusive aquela frase de sua mãe: - José, você ainda será um servo de Deus! 

Quando seu pai abraçou o Evangelho, sua mãe uniu-se a ele para interceder pelo menino que o Senhor escolhera para realizar uma grande obra. Deste modo, a Igreja evangélica tornou-se para ele um ambiente com o qual se familiarizou muito cedo. Foi nesse ambiente cristão (seu lar e a Igreja), que ele aprendeu que Deus é amor e está sempre ao lado dos crentes para ajudá-los e também responder as suas orações.

Quando morava em Maceió, em um humilde “chalé de palha” (ao lado de sua casa), residia o irmão Leonel Satírio, que era irmão de seu pai, Júlio Satírio. Ali mesmo, em um culto doméstico, seu tio Leonel teve a oportunidade de orar pelo garoto José Satírio, para Deus o abençoar. (O irmão Leonel foi um dos obreiros “pioneiros” da Igreja Assembleia de Deus em Maceió, que ajudaram a fundar as Igrejas que estão nos Bairros do Trapiche da Barra, Pontal da Barra e Barra Nova; durante cinco décadas pastoreou Igrejas em Maceió; hoje, com seus 88 anos de idade, é considerado como o “patriarca” da família dos “Satírios”, porque sempre procurou honrar o ministério que recebeu do Senhor).

Ainda pequeno, José Satírio começou a trabalhar para ajudar sua família. Com seu primo, George, empurrando um carrinho, saía para vender pães no subúrbio de Maceió. Uma de suas experiências mais marcantes aconteceu quando ainda era adolescente. Ele tinha apenas treze anos quando sua irmã Helena nasceu enferma; após alguns meses, seus pais observaram que ela era incapaz de movimentar as perninhas ou erguer os pequenos braços. Percebendo a total ausência de movimentos na criança, os médicos afirmaram a gravidade da situação: paralisia total. Assim, para tristeza geral da família, eles disseram que não podiam fazer nada.

Embora José Satírio ainda fosse adolescente, a notícia da paralisia de sua irmã o deixou abalado. Sentindo a dor de seus pais, orava sempre, pedindo a Deus que a curasse. Certo dia levantou-se da oração e foi até o quarto da criança. Não podendo resistir o impulso, a tomou nos braços e ajoelhou-se, clamando ao Senhor pelo milagre. Orou com fé e a devolveu ao berço. E o milagre aconteceu. A partir daquele momento ela começou a se movimentar normalmente. Agradecido, prometeu servir a Deus durante toda a sua vida.

Por causa da precária situação do povo maceioense, ele migrou com sua família para São Paulo. Depois de alguns anos, o jovem José Satírio retornou com sua família para Maceió. Porém, depois de algum tempo, a família migrou definitivamente para São Paulo. Foi ali, em uma cidade do interior de São Paulo (Tupã), que Deus o chamou para atender a necessidade do campo missionário.

Quando Deus o chamou para o campo missionário transcultural (em 1974), ele era evangelista da Igreja Assembleia de Deus em Tupã, Estado de São Paulo; morava no porão da Igreja sede com sua esposa, Nair, e três filhos (Sulamita, Eliseu e José). Durante o dia, cuidava da chácara do asilo mantido pela Igreja; à noite, auxiliava na Igreja sede ou ministrava ceia nas congregações. Também, pilotando uma velha perua de propriedade da Igreja, o jovem evangelista percorria a zona rural para dirigir cultos e dar assistência aos irmãos.

A experiência sobrenatural. A “experiência” que marcou sua chamada missionária “ocorreu num domingo após o culto: Estando em sua casa, naquela noite, nada prenunciava um grande acontecimento; tudo transcorria normal. Depois do culto, ele e Nair comentaram os fatos do dia, alguns pormenores domésticos e as expectativas para a semana que se iniciava. Depois brincou um pouco com os filhos e, quando todos já se haviam recolhido, ajoelhou-se ao lado da cama para o costumeiro período de oração.

Em determinado momento, uma estranha força o envolveu, fazendo-o sentir-se transportado a uma velocidade vertiginosa; sua viagem terminou no topo de uma montanha. Em seguida, encontrou-se no meio de uma rua, cortada mais adiante por uma avenida. No lugar em que as duas vias se cruzavam, avistou alguns homens agachados, como se estivessem desenhando na terra. Eram seis, e quando o viram levantaram-se; um deles o saudou, dizendo: - Bem-vindo à Colômbia, irmão José!

Este que o saudou, separou-se do grupo e caminhou em sua direção; depois de cumprimentá-lo de forma cordial, colocando as mãos em seus ombros, disse: - Fizeste bem em vir aqui. Há um grande trabalho que Ele quer realizar, e o fará através de ti. Em seguida, disse: - Venha, quero mostrar-te a cidade. Caminharam cerca de duzentos metros, até onde terminava a montanha; ali ele contemplou uma grande cidade que se estendia por todo o vale lá embaixo.

O desconhecido, com um gesto, o fez acompanhá-lo na descida da montanha. Seguiram lado a lado, sem dizer palavra, pelo lado norte da cidade. Avançaram até um bairro popular, por uma rua asfaltada. Havia casas apenas do lado direito; à sua esquerda, somente vegetação. Pararam em uma esquina, diante de uma casa cujo verde suave das paredes começava a descorar. Era cercada por um muro de aproximadamente um metro de altura. Nos fundos havia um portão e uma garagem. O homem entrou na casa como se ali fosse o lugar onde morava. Ele o seguiu até a sala de jantar. Sem qualquer preâmbulo, aquele homem sentou-se à mesa e indicou-lhe um lugar ao seu lado. Assim que se sentou, uma jovem veio servir-lhes café com leite, pão, queijo e manteiga. Em seguida, fizeram uma oração, dando graças a Deus pela refeição. 

Apenas iniciara comer, viu desenrolar-se à sua frente uma espécie de pergaminho, surgido do nada. Grandes letras luminosas formavam a seguinte frase em espanhol: Dios, yo he visto una tierra feliz. - O senhor entende? Perguntou-lhe a jovem. Nem tudo, respondeu. Então ela traduziu para ele: ‘Deus, eu vi uma terra feliz!’ Naquele momento, percebeu que iniciava sua viagem de volta. Porém, antes que a visão terminasse, ainda a ouviu exclamar: Colômbia! Ao despertar e tomar consciência de que estava novamente em seu quarto, por um instante imaginou (um pouco envergonhado de si mesmo) ter adormecido durante a oração. Consultou o relógio e constatou que havia passado pouco mais de uma hora desde que se ajoelhara ao lado da cama. Então aconteceu o inesperado: A prova estava em sua própria boca!

No momento que as imagens da visão começaram a desaparecer, ele estava à mesa, mastigando um sanduíche de queijo. Ao despertar em seu quarto, a sensação de estar comendo permaneceu. No entanto, constatou arrepiado pelo temor, que não era apenas a sensação ou reflexo de algum tipo de condicionamento. Havia pão e queijo de verdade em sua boca! Não é possível! Pensou assustado. Cuspiu os fragmentos sobre a palma da mão, e não havia dúvidas. Meu Deus, o que é isto?! Exclamou.

O medo se apoderou dele. Porém, apesar de tudo, ainda pensou se de alguma forma seu recente interesse por assuntos missionários não lhe teria sugestionado e produzido alguma espécie de fenômeno alucinante (porque nos últimos dias lera bastante informação sobre a obra missionária); os temas missionários povoaram sua mente de maneira quase obsessiva. Portanto, seus pensamentos o deixavam confuso. Até que uma voz, proveniente de algum recôndito espiritual, lhe perguntou: ‘Creste no arrebatamento de Filipe’?

Lembrando-se das muitas vezes que lera o texto do livro de Atos, que mostra o evangelista Filipe sendo arrebatado pelo Espírito até Azoto (8.39,40), respondeu: Sim, creio. - ‘Eu sou o mesmo. O que transportou Filipe também transportou a ti’.

A voz não mais se manifestou. Cessaram também suas incertezas. Ele estava sendo recrutado por Deus para uma missão: anunciar o Evangelho na Colômbia, um país sobre o qual a única coisa que sabia era que estava situado na América do Sul.

Mais tarde, concluiu que o Espírito não o transportou apenas no espaço; ele também viajara no tempo, porque não é possível ser alta noite no Brasil e dia na Colômbia (a diferença de horário entre os dois países é de apenas duas horas). Além do mais, cada minuto de sua estada em solo colombiano foi real; não ocorreu como nos sonhos, onde os fatos e cenários se sucedem rapidamente (diz-se que os sonhos duram apenas poucos segundos).

Sua experiência, portanto, foi real, conforme ele próprio relata: ‘Andei cada passo de minha caminhada com o desconhecido, senti o atrito de meus pés contra o asfalto, vivi a sensação do clima, ouvi as vozes, senti o cheiro do mato à beira da estrada e o gosto da comida; e o tempo da experiência – pouco mais de uma hora – não cobre todos esses acontecimentos’. Sua certeza, portanto, era inabalável: ele havia recebido um chamado divino com a infalível marca do sobrenatural e uma prova mais que convincente. Deus o escolhera para conquistar almas na Colômbia. 

Sua família. De volta ao mundo natural e consciente de ter sido convocado por Deus para uma tarefa em outro país, preocupou-se com sua família, embora cresse que a autêntica chamada de Deus a um obreiro estende-se também aos seus familiares: à esposa e aos filhos (os filhos capazes de tomar decisões podem seguir o seu rumo; porém, os menores são os acompanhantes naturais do casal).

Entretanto, José Satírio resolveu manter em segredo a chamada, confiando que o Senhor lhe daria coragem para comunicá-la no momento oportuno. Nesse período, que durou oito meses, procurou inteirar-se de tudo que dizia respeito à Colômbia; iniciou por um Atlas e depois leu tudo que encontrou sobre a sua cultura, economia e vida social. Também conversou com pessoas informadas sobre a cultura dos países latinos e escutou músicas em espanhol. Esse interesse tornou-se tão evidente que sua chamada já não era mais novidade para Nair. Aliás, ela lhe disse que ele lhe falara dormindo, as seguintes palavras: Nair, Deus diz: ‘Colômbia’.

Esse clima o fez ir assistir a uma conferência missionária na Igreja Assembleia de Deus de São Cristóvão (RJ). Quando lá chegou, viu alguns livros em exposição, entre eles o livro que narra à história das Assembleias de Deus no Brasil, e faz referências à vida dos primeiros missionários pentecostais, Daniel Berg e Gunnar Vingren. Isso o fez se sentir devedor (Rm 1.14,15). Assim, estando consciente da ‘necessidade mundial’ (At 16.9) e da ‘responsabilidade global’ que o Senhor faz pesar sobre a sua Igreja através da sua Palavra (Mt 28.19,20), creu que, como brasileiro, poderia contribuir para devolver ao mundo a semente que a nação brasileira recebera.

Pouco tempo depois, já percebendo que à hora da sua decisão estava próxima, viajou à São Paulo para tratar um assunto relativo à assistência social da Igreja. À noite, foi adorar o Senhor numa Igreja onde ninguém o conhecia. Quando ainda estavam no período de oração, Deus usou um irmão para falar com ele. O Senhor declarou conhecer os seus pensamentos, dizendo que ele buscava mais sinais; portanto, o repreendeu, dizendo que já lhe mostrara os sinais necessários. Em seguida, o consolou, prometendo que estaria com ele; também lhe disse que a casa visitada durante a visão o aguardava.

Não suportando mais o silêncio, decidiu que estava na hora de ter uma conversa com Nair, pois cinco meses se haviam passado desde à sua viagem sobrenatural a Colômbia. Assim, quando lhe disse que tinha uma coisa para contar, ela olhou sorrindo para ele e disse: Sei o que você quer me dizer. Ao ser desafiada por ele sobre o conteúdo da conversa, ela lhe disse: Você vai dizer que o nosso tempo aqui no Brasil terminou; Deus nos quer em outro país, onde as pessoas não falam a nossa língua. Não é isso? Ficou espantado: - Como soube? - O mesmo que revelou a você, revelou também a mim – foi sua resposta. Em seguida ela tomou sua mão e afirmou: José, eu e as crianças iremos contigo aonde Deus nos mandar. Ela também havia sonhado que viajara a um lugar distante, em um pequeno avião, e Deus lhe mostrara um campo todo verde. Isto lhe trouxe alívio. Porém, ainda faltava cumprir uma etapa: Ele deveria falar com a liderança da Igreja.

Assim, ele procurou o ministério da Igreja Assembleia de Deus em Tupã. Os pastores Teodoro Tofkam e Gídio Giunco (principais líderes desta Igreja) foram surpreendidos com a sua revelação. Argumentaram que ele tinha futuro, um ministério promissor na Igreja. Portanto, não havia motivo para ele se expor àquela situação. Na verdade, sua vida era relativamente tranquila naquela cidade. Morava em uma casa da Igreja, tinha uma boa assistência médica e social, salário e muitos amigos entre os obreiros. Embora estivesse há pouco tempo naquela cidade, todos eram unânimes em afirmar que sair naquele momento seria precipitação. 

Ao perceber sua determinação, seu pastor resolveu falar com o pastor Cícero Canuto de Lima, que na época era o líder principal da Igreja Assembleia de Deus, na capital e no interior do Estado de São Paulo. Assim sendo, depois de alguns dias, o jovem evangelista acompanhou o pastor Teodoro a uma reunião de obreiros na grande São Paulo, e então conversaram. O pastor Teodoro expôs a situação: sua chamada e a determinação em partir, a revelação e a total impossibilidade de sustento por parte da Igreja em Tupã, que inclusive já tinha bastante compromisso (o asilo de velhinhos, dívidas e a própria manutenção do trabalho). - Não podemos assumir mais essa obrigação – disse por fim. - Nós tampouco – acrescentou o pastor Cícero. – Temos tido muitos problemas com missionários. Os que foram enviados para fora do país estão voltando.

Não obstante, declarou: - Mas, se o irmão Satírio tem uma chamada de Deus, nós não impediremos. Ele é ministro do Senhor; se atender à chamada, Deus o abençoará. - O que o senhor faz, irmão Satírio, além do trabalho na Igreja? Respondeu que trabalhava em construções e outros serviços. - O irmão tem ferramentas? - Sim, respondeu. - Então as leve, e o Senhor será contigo. Porém, antes de se retirar, explicou ao pastor Cícero que sua intenção era pregar o Evangelho. Ele não estava ali pedindo ajuda (esta era uma preocupação do pastor Teodoro). Se a Igreja não podia lhe sustentar, ele procuraria ganhar o seu pão da maneira que fosse possível.

Espiando a terra. Antes de partir definitivamente, foi visitar a Colômbia, de ônibus, cruzando a Bolívia. Ao retornar, não tinha mais dúvidas. Seu tempo no Brasil havia terminado, embora não soubesse ainda para qual cidade deveria ir, pois nada do que viu nessa viagem se parecia com o que Deus lhe mostrara. 

A viagem para a Colômbia. Pouco tempo antes de partirem, uma amiga de Nair, que estava bastante preocupada, disse: Vocês vão mesmo para a Colômbia? Não conhecem nada lá! Vocês vão passar fome! Porém, sua esposa, já consciente de sua responsabilidade e armada com o argumento da fé, respondeu: Estamos na direção de Deus, portanto, Ele não vai deixar faltar nada. Assim, com esta confiança, iniciaram a viagem no dia 10 de fevereiro de 1975. Planejaram seguir pela Transamazônica (a estrada que cortava a selva), porque sairia mais barato. Seguiriam de Tupã até São Paulo, depois Cuiabá, Porto Velho, Humaitá e Manaus, de onde, sem saber como, rumariam finalmente para a Colômbia.

A Igreja e o pastor Teodoro foram generosos com ele; enquanto fazia os preparativos para a viagem, continuou recebendo o seu salário. No culto de despedida, a Igreja lhe entregou uma oferta; e assim, com muitas lágrimas partiram. Em São Paulo, o pastor Cícero os recebeu como missionários. Depois de pregar a Palavra de Deus na Igreja Assembleia de Deus do Belenzinho e receber uma oferta, a bênção do Senhor foi invocada sobre ele e sua família. Contudo, de alguma maneira, o missionário José Satírio sentiu que estava sozinho. A Igreja, que naqueles dias estava “escaldada” com as experiências negativas de alguns missionários, ‘não iria com ele’. Hoje, depois de três décadas, embora tenha havido algum progresso nessa área, lamentavelmente ainda se percebe sequelas dessa desconfiança.

Onde a liderança da Igreja errou. No tocante ao serviço missionário (Mt 28.19; Mc 16.15; Lc 24.47; At 1.8), o maior erro que a liderança brasileira cometeu, foi a perda da consciência missionária. Embora a Igreja Assembleia de Deus deste país seja fruto de um trabalho missionário, a liderança preocupou-se mais com o imenso campo nacional e, portanto, riscou a obra missionária da sua lista de prioridades. Como pensar em outros povos, se aqui há tanto trabalho? Esse pensamento prevaleceu na mente do povo; tal posicionamento parece justificável, porém é um grande equívoco. Quando a colheita é retida no celeiro por mais tempo que o necessário, corre-se o risco de perdê-la; e foi o que aconteceu: a consciência missionária estragou-se no celeiro do esquecimento. Até houve uma resposta, no entanto, irrisória, tímida, sem qualquer cuidado prévio.

Assim, a liderança da Igreja, empenhada nos trabalhos domésticos, esquivou-se por muito tempo da responsabilidade de olhar para fora da sua porta. Quando finalmente reagiu, lançou nos campos do mundo uma semente estragada. O resultado desse trabalho pode ser visto hoje em vários lugares: uma colheita inexpressiva. O insucesso da investida brasileira na obra missionária foi causado pelos seguintes posicionamentos equivocados:

1) Ignorou-se o idioma. Isto é, missionários foram enviados a países de línguas diferentes sem a devida preparação. Há um atraso muito grande na marcha do trabalho quando o missionário desconhece até mesmo as noções elementares do idioma do povo, sendo que a fala é o seu principal instrumento de comunicação. Lamentavelmente, muitos pensavam que se aprendia um idioma em poucos dias ou semanas. Graças a Deus, este erro já está sendo corrigido.
2) Ignorou-se a cultura. É comum aos missionários a tendência de manter em terra estranha os valores e padrões de comportamento do seu país. Assim, a tensão causada pelas ‘diferenças culturais’ contribuiu bastante para que muitos missionários brasileiros retornassem em poucos meses. Ainda hoje, lamentavelmente, há missionários brasileiros que procuram fazer dos trabalhos plantados em solo estrangeiro, extensões da Igreja brasileira (com seus costumes). Esquecem que Deus planejou a redenção para ‘toda criatura’, em qualquer época ou lugar; pregam o Evangelho como se ele não fosse Universal, e não pudesse se adaptar às culturas de todas as nações. Todas as culturas devem ser respeitadas.
3) Invocou-se muito à providência divina, porém faltou a responsabilidade do investimento. O missionário precisa ter o seu sustento garantido, como também recursos que lhe permitam desenvolver o trabalho de modo eficiente: veículo, verba para compra de terrenos e construções, aluguel, etc. A falta de apoio financeiro foi e tem sido a causa de muitos fracassos e atrasos no progresso do serviço missionário.
4) Os missionários eram esquecidos. Ou seja, eram despedidos com honra e grandes festas, porém, após sua partida eram esquecidos. A presença do pastor ou representantes da Igreja no campo missionário traz segurança ao obreiro e lhe ajuda a ganhar a confiança do povo. Porém, o obreiro que é esquecido, sente grande frustração; e isso só gera desconfiança no povo evangelizado. Lamentavelmente, esses e outros posicionamentos equivocados, além de sufocarem a chamada missionária de inúmeros obreiros, também bloqueiam as saídas de recursos para o campo missionário transcultural.

Continuação da viagem. Enquanto o missionário José Satírio viajava com sua família em solo brasileiro, não lhe faltou ajuda; além da generosidade das Igrejas de Tupã e Belenzinho, em Cuiabá ele também encontrou uma Igreja generosa. Ali, o pastor Sebastião Rodrigues de Souza o hospedou prazerosamente, ouviu seu testemunho e lhe concedeu oportunidade para pregar na Igreja sede e nas congregações. Enquanto esteve em Cuiabá, participando de vários cultos, o pastor Sebastião ordenou que recolhessem ofertas (sem que ele pedisse) para ajudá-lo na jornada missionária. Esse gesto generoso o fez sentir-se amado e agradecido pela maneira como foi tratado naquela cidade. Também permanece em sua mente a imagem bondosa da irmã Nilda, esposa do pastor Sebastião.

Depois de deixarem Cuiabá, passaram em Porto Velho e seguiram para Humaitá, cidade do Estado do Amazonas, plantada às margens do rio Madeira. No caminho, se defrontaram com o inverno, que na região Norte do Brasil significa chuva ininterrupta. A água invadia as estradas, e em muitos trechos só podiam prosseguir em balsas ou em pequenos barcos; enfrentaram, portanto, mais um perigo: o das toras que singravam perigosamente os caminhos dos rios. Às vezes só era possível continuar a pé, carregando as bagagens e as crianças nos braços. Vez por outra podiam contar com o relativo conforto de um ônibus e até com o impulso de uma pequena aeronave.

O calor parecia cozinhá-los lentamente, e a barulhenta orquestra de papagaios e pássaros menores não deixava seus ouvidos em paz. Do solo fértil brotavam as imensas seringueiras, em número bastante para impedir a luz do sol. Nessa caminhada obrigatória pelo terreno selvagem, se defrontaram com serpentes que rasteavam traiçoeiramente por entre as folhas secas do chão; também se depararam com jacarés à beira dos rios, olhando curiosos (ou famintos?!) para eles. As crianças ora riam divertidas com as novidades da selva, ora choravam assustadas com o desconhecido.

Às vezes eram obrigados a permanecer nos povoados até que o rio baixasse. Exaustos, dormiam em choças que lhes proporcionavam uma segurança duvidosa, acomodados em redes ou sobre esteiras que cobriam o chão (era o melhor que os irmãos e pastores podiam oferecer-lhes). Contudo, em plena floresta amazônica, encontraram o amor de Deus na vida dos irmãos; participaram dos seus cultos, e ainda puderam contar com sua generosidade, na forma de ofertas. Depois de muitos dias de viagem, chegaram a Humaitá; ali, um avião da FAB os levou até Manaus (estavam viajando há mais de um mês). Nessa cidade, capital do Estado do Amazonas, José Satírio procurou a Igreja e apresentou-se ao pastor Alcebíades Pereira. Ali, onde também foram tratados com muito amor, ficaram uma semana. Assim como em Humaitá, em Manaus o Senhor também abriu a porta para que um avião da FAB os levasse até Tabatinga (situada no extremo oeste do Estado do Amazonas, perto da fronteira com a Colômbia). Assim, a viagem durou apenas quatro horas de voo; um barco levaria dezoito dias para fazer essa viagem. 

Ao sair do avião, Jose Satírio percebeu que um oficial olhava para eles fixamente. Não entendia por que, mas dava a impressão de reconhecê-los. Em seguida, ele se aproximou e disse: - São os missionários? Com a sua resposta afirmativa, ele os abraçou e disse: - A paz do Senhor. Seja bem-vindo, irmão! E começou a repetir, entre lágrimas, sondando o seu rosto: - É igualzinho, igualzinho! O que houve? Perguntou José Satírio. – Desculpe, disse ele. – Sou crente também; na noite passada, quando estava orando, o Senhor me deu uma revelação sobre a sua chegada: Ele me disse que vocês estariam muito cansados e que eu os fizesse descansar. A minha casa está preparada, quero que me acompanhem.

Então os dois se abraçaram e choraram. Em seguida, o oficial, que se chamava Antônio e era capitão, convocou alguns soldados que estavam nas proximidades e deu-lhes a tarefa de levar a bagagem para a sua casa, onde dois quartos muito bem arrumados os esperavam. Ali, no meio da selva, junto às fronteiras do Brasil, Peru e Colômbia, o Senhor lhes deu conforto. Ficaram quatro dias hospedados na casa do irmão Antônio, que era membro da Igreja Assembleia de Deus. Sobre o casal hospitaleiro, José Satírio diz: ‘impressionou-me a sensibilidade dele e de sua esposa, bem como o amor que nos dispensaram’.

Havia uma pequena Igreja ao lado do quartel do Exército (a maioria dos membros eram soldados); ali, como em outros lugares, o jovem missionário também teve a oportunidade de pregar a Palavra de Deus. O capitão Antônio entrou em contato com a base na Colômbia, falou com alguns graduados e conseguiu para a família um voo de Leticia (cidade colombiana, que faz fronteira com o Brasil) até Bogotá, capital da Colômbia. Assim, no dia 31 de março, cruzaram a fronteira.

Sua chegada a capital da Colômbia. Eram aproximadamente três horas da tarde quando chegaram a Bogotá. Logo que desembacaram, a secretária do Ministério das Relações Exteriores, lhe disse: O seu visto é de turista e tem validade de noventa dias; se ao final deste prazo o ministério negar a sua permanência, o senhor terá de sair do país. Se insistir, será considerado ilegal e poderá ser deportado. 

Logo ele se apresentou ao conselho nacional das Assembleias de Deus, e foi muito bem recebido pelos pastores. Explicou-lhes o motivo de sua chegada ao país, e eles trataram logo de providenciar um lugar onde pudesse acomodá-los. Enquanto isso, ele deveria dar início à tramitação dos documentos necessários à sua permanência no país (tudo de acordo com a lei). Porém, missionários não eram desejados ali. Assim sendo, temendo, pensou na grande humilhação que poderia sofrer se voltasse ao Brasil (derrotado por um simples carimbo). 

Ficaram hospedados na casa de um missionário brasileiro, Joanir dos Santos, que trabalhava em Bogotá. Ele cedera um quarto para eles, e foi onde se refugiaram. O fato de missionários não serem vistos com bons olhos pelo governo colombiano, também abateu a irmã Nair. Portanto, ficaram confusos. Então resolveram buscar resposta na oração, o recurso mais óbvio. Era aproximadamente uma hora da tarde quando começaram a orar; ao anoitecer, a irmã Nair levantou-se para atender as crianças. Porém, ele continuou orando noite adentro. Sua oração consistia em pedir a misericórdia de Deus e, se sua chamada fosse real, que Ele não o deixasse naquele momento.

Já passava da meia-noite; ele orava há quase doze horas e estava exausto. Bogotá é uma cidade fria da Cordilheira dos Andes, situada a dois mil seiscentos e quarenta e cinco metros de altitude. Não aguento mais, disse ele ao Senhor. Mais uma vez, portanto, reiterou seus pedidos e preparou-se para dormir; seu corpo tremia. Porém, quando ainda se ajeitava sob as cobertas aconchegantes, a porta do quarto se abriu. Pensou: quem poderia estar ali, naquela hora da noite. Havia um homem alto na porta, cuja cabeça quase tocava o batente da porta; vestia uma estranha roupa de cor clara, semelhante a uma túnica.

O estranho sorriu para ele. Quando percebeu, já estava sentado na beira da cama. Ele colocou a mão no seu peito e disse: ‘José, não temas. Descansa. Todas as coisas estão em minhas mãos. Quando amanhecer, irás para a cidade de Cúcuta e ali começarás minha obra’. Satírio pensou que aquele personagem era um ser celeste; entretanto, por alguma razão, achou que não era um anjo. Esse pensamento confirmou-se quando o personagem tirou a mão do seu peito; nesse momento, Jesus o fez entender que era Ele mesmo que estava ali.

Depois que o Senhor desapareceu, ele gritou: Jesus! A irmã Nair, despertando com o seu grito, perguntou: Que foi? Ele já estava de pé. Então, enquanto andava pelo quarto, disse: ‘Jesus esteve aqui e falou comigo! Não estamos sozinhos, Ele está conosco. As coisas vão bem’. Assim, lembrou-se do versículo que registra a presença do Senhor com os seus discípulos, para ajudá-los em sua missão (Mc 16.20). Sobre o lugar que iria trabalhar, quando saiu do Brasil, sabia apenas o nome do país; seu endereço final, isto é, o nome da cidade onde o Senhor queria lhe estabelecer, ainda era uma incógnita. Porém, a partir daquele momento, já tinha o nome da cidade, o seu endereço definitivo: Cúcuta. Assim, pôde dormir tranquilo.

No outro dia acordou revigorado. Conversou com o missionário Joanir e explicou aos pastores do Concílio que deveria ir para Cúcuta. Não tinha ideia de onde ficava tal cidade. É uma cidade que faz fronteira com a Venezuela - informaram. - Não sei se o irmão irá aguentar o calor. Contudo, se Deus o está enviando, é melhor que vá. Depois de passarem vinte dias em Bogotá, partiram para Cúcuta (capital do Departamento de Santander). Viajaram dezoito horas de ônibus, através da Cordilheira. Durante a viagem, estando ansioso para ver a cidade, José Satírio pensou: ‘Seria como na visão’?

Sua chegada a Cúcuta. Finalmente, chegaram ao destino. A entrada de Cúcuta, para quem vem de Bogotá, fica na parte ocidental. Na descida para a cidade, o ônibus faz uma volta e então é possível contemplá-la à mão esquerda. Assim, quando a viu, levou um choque. Ali, sobre um imenso vale, estendia-se a mesma cidade que Deus lhe mostrara no Brasil. Portanto, a visão se repetia: as casas, as ruas asfaltadas, as árvores, a montanha.

A estrada passava ao pé de um monte - o mesmo onde, de alguma forma, seus pés haviam pisado meses atrás! Era como se ele estivesse mergulhando na figura de um livro para também participar da história. Ao desembarcar em Cúcuta, ele trazia em sua carteira, apenas o suficiente para comprar algumas coisas para casa, pagar o primeiro mês de aluguel, adquirir madeira para os bancos da Igreja e sustentar a família durante duas semanas. Logo, quando gastasse o último dinheiro, sua garantia material estaria esgotada, porque não contava com o respaldo de nenhuma Igreja ou organização missionária.

Depois de deixar o terminal rodoviário, a família missionária saiu em busca de hospedagem. Tendo acomodado sua família em uma residência (uma espécie de pensão), praticamente no centro da cidade, próximo ao Parque Santander, o jovem missionário começou a andar pela cidade à procura de uma casa. Durante cinco dias trilhou as ruas e avenidas de Cúcuta. Embora não deixasse de pensar na providência de Deus, estava preocupado, porque logo não teria mais dinheiro para permanecer na residência, e também ainda não havia encontrado uma casa para morar. 

No sexto dia, empreendeu mais uma caminhada, que prometia ser infrutífera. Porém, à tardinha, quando já estava prestes a encerrar sua busca, deparou-se com uma casa que lhe parecia familiar. Imaginou estar passando pelo mesmo lugar pela segunda vez. Era uma casa de esquina, pintada de verde. Assim, pôde constatar que já tinha visto aquele muro, inclusive a garagem, que estava situada nos fundos da casa. Ele estava diante da mesma casa que meses atrás visitara de forma sobrenatural. Também, a rua e a esquina eram as mesmas. A única diferença é que a casa estava fechada, sem vida. Alguém precisava lhe informar sobre ela.

Então, logo que avistou uma mulher sentada à porta da casa vizinha, aproximou-se e perguntou: Esta casa está vazia há muito tempo? Sim, há mais de um ano – respondeu a mulher. – Talvez tenham feito bruxaria, porque ninguém consegue viver nessa casa. Um tanto espantado, agradeceu. Voltou-se e, mais uma vez, contemplou aquela imagem familiar: o muro, a garagem, a tinta envelhecida. Naquele momento, uma voz, que ele também já conhecia, falou ao seu coração: - Esta é a tua casa. Está fechada, te esperando!

Caminhou até a porta, para ler o que estava escrito na placa que anunciava: Aluga-se. Conforme imaginava, era o endereço da imobiliária. No outro dia, foi ao escritório e perguntou pela casa do bairro Guaimaral; o homem que lhe atendeu, disse: O senhor está interessado? Diante da sua resposta afirmativa, lhe entregou alguns papéis para preencher que exigiam as seguintes informações que ele não podia fornecer: onde trabalhava, quanto recebia de salário, referências bancárias e comerciais. Porém, ele respondeu o que era possível: nome, endereço do hotel e propósito de querer fixar residência em Cúcuta.

Logo em seguida devolveu a papelada ao atendente, que ao observar, comentou: - Como o senhor pode preencher uma proposta de aluguel dessa maneira? Precisamos de informações completas! O referido homem deixou o balcão e encaminhou-se para outra seção, e José Satírio ficou no seu lugar, remoendo o suspense. Depois, ele voltou e perguntou: - O que o senhor faz?

- Sou missionário evangélico – respondeu. – Vim cumprir uma missão de Deus na cidade de Cúcuta. 

- Ah! Espere um momento – disse ele. E voltou à sala onde entrara antes. Cinco minutos depois regressou com o semblante de quem tomara uma decisão. - Olhe, o que vou fazer não é possível a todo mundo. Para falar a verdade, é algo que nem se deve fazer. Mas vou alugar a casa para o senhor, confiando na sua palavra. Contente, já com as chaves da casa, dirigiu-se para a residência e disse a sua esposa: - Nair, alugamos a casa! Exultantes, trataram logo de fazer uma boa faxina. Assim, naquela mesma noite, foram para a nova morada. Porém, estando famintos, ele saiu para providenciar comida. Com o dinheiro escasso, contentaram-se com sardinhas, pães e uma coca-cola.

Na casa ainda despida de móveis, a noite prometia não ser das mais confortáveis. Sofreram com o calor; a temperatura em Cúcuta nunca se afasta muito dos trinta graus, e a casa abafada com telhas de fibra criava a sensação de estufa. Na bagagem trouxeram três redes, porém não tinham como pendurá-las. Então as estenderam no chão e dormiram por cima do tecido grosso e das roupas. O cansaço era tanto que os fez vencer o desconforto; e dormiram pesadamente. No outro dia, cuidaram de mobiliar a casa. Compraram três camas; uma de casal e duas de solteiro, e a mesa com seis cadeiras: tudo de qualidade questionável. Porém, isso era o máximo que os seus recursos escassos permitiam. Geladeira era um luxo impensável (só depois de um ano é que conseguiram comprar uma).

Momentos difíceis. Um fogão a gás também estava fora de questão. Assim, tiveram que buscar uma alternativa, e optaram por uma espécie de fogareiro a querosene, ou seja, um monstrinho de lata malcheiroso, cujo pavio costumava apagar com qualquer sopro de vento, e exalava um cheiro repugnante (o arroz muitas vezes ficava com gosto de querosene). No que se refere à escassez, talvez essa tenha sido a fase mais espinhosa para a irmã Nair em sua experiência missionária. Seus hábitos alimentares, portanto, sofreram drásticas mudanças. Os meninos (o menor, José, tinha dois anos) estavam acostumados com mamadeira no Brasil. Porém, agora não tinham dinheiro para comprar leite. O coração da irmã Nair doía quando o vendedor passava com sua carrocinha abarrotada de frutas apetitosas, e ela não podia comprar nada para as crianças que choravam, querendo frutas.

O desjejum consistia em café ralo e um pãozinho cortado em fatias; um pedaço para cada um. O cardápio do almoço era quase invariável: arroz, batatinha refogada e ovo mexido. Passaram alguns meses sem comer carne. Quando a fraqueza se tornava uma preocupação séria, providenciavam um reforço de mocotó. Às vezes, o único tempero da comida era o cheiro do querosene. Assim, durante vários meses foram alimentados com arroz e batata, preparados sem óleo e salgados apenas com as lágrimas inevitáveis. Para não causar uma impressão negativa, o jovem missionário não comunicava suas necessidades a ninguém. Desde os seus primeiros dias naquela cidade, o trabalho perseverante que ele fazia para o Senhor (evangelização de casa em casa, assistência a jovens viciados em drogas e a pessoas enfermas, etc.) não lhe permitiu se envolver com o trabalho secular para sustentar a família. 

As primeiras conversões. Dez dias após sua chegada a Cúcuta, José Satírio reuniu sua família em um lugar perto de onde morava e realizou o primeiro culto. Começaram a cantar, e logo seus vizinhos ficaram sabendo que chegara ali uma família de evangélicos, que não falava espanhol e dizia coisas engraçadas. Embora falasse apenas duas ou três palavras em língua espanhola, o jovem missionário tentou pregar para o grupo de curiosos que estava ali. Alguns faziam sinais para os outros, como se estivessem perguntando se ele era louco. Contudo, o Senhor lhe deu graça para pregar, e o povo escutou a Palavra de Deus. Entre os ouvintes havia um que o olhava firmemente, prestando atenção ao que ele dizia. No final, quando ele fez o apelo, o homem ergueu o braço e aceitou Jesus. Este foi o primeiro convertido (Gilberto Serna), que inclusive tornou-se seu professor de espanhol e ajudou a construir os bancos para o pequeno salão que era improvisado na garagem, onde eram realizados os cultos (sua inauguração ocorreu no dia 05 de maio de 1975). Ele também o ajudou nas visitações e outros trabalhos que se iniciavam.

Sem perder tempo, o jovem missionário saia para evangelizar de casa em casa; levava seus folhetos e convidava o povo para os cultos já estabelecidos oficialmente na garagem de sua casa. Naqueles dias, o Senhor salvou umas oito pessoas, que fizeram uma entrega completa de si mesmas ao Senhor. Também, algumas pessoas já evangelizadas por outras Igrejas (que inclusive não estavam totalmente comprometidas com elas), começaram a frequentar regularmente as reuniões no pequeno salão. Um mês após o início do trabalho, José Satírio já podia contar com alguns irmãos para o trabalho de evangelização. Um grupo de oito, dez e até quinze irmãos o acompanhava sempre. Aos domingos à tarde, realizavam alguns cultos ao ar livre; paravam nas esquinas e cantavam, acompanhados apenas pelo chocalhar solitário do pandeiro da jovem Mecho. Após um ou dois hinos, ele pregava a mensagem, que tinha um único objetivo: conquistar almas para Cristo. Entretanto, sabendo que a vitória só seria obtida por obra e graça do Espírito Santo, ele dedicou-se então às orações noturnas (inclusive vigílias) e aos jejuns.

Conversões que impactaram o bairro. Embora José Satírio falasse mais português do que espanhol, um moço recém-casado (Guillermo Rangel, que vivera dominado pelas drogas), o ouviu pregando a Palavra, e não resistiu; com lágrimas entregou-se ao Senhor. Sua decisão fez sua mãe (Celina, que era inimiga dos evangélicos) lançar uma panela de água fervente sobre um grupo de jovens evangélicos que conversavam ao lado de sua casa. Porém, essa senhora, Celina, que inclusive era muito católica, não podendo mais ignorar a mudança na vida do filho, um dia (sete ou oito meses após a conversão do rapaz) apareceu chorando em um dos cultos matinais, e após pedir perdão ao Senhor e a Igreja, disse: quero hoje ser como o meu filho. Sua conversão, de alguma maneira, abalou o bairro, porque era ela quem recolhia as ofertas e donativos para a igreja Católica. Além de influente na paróquia, era uma líder política do bairro, que buscava recursos junto ao governo do município e do Estado.

Jairo Rodrigues também era um jovem viciado em drogas; quando se drogava saía pelas ruas para roubar e praticar o mal. Tinha os cabelos compridos (pela cintura), era magro e de aspecto assustador; vestia-se à moda dos hippies, às vezes descalço, às vezes calçado com botas ou tênis. Certo dia, em um dos cultos ao ar livre, ele aproximou-se do pequeno grupo e entregou sua vida ao Senhor. Depois, já liberto, acompanhou os irmãos para o culto da noite. No outro dia, embora não houvesse culto, voltou à congregação completamente diferente. Era difícil reconhecê-lo, porque estava com roupas limpas e sem os cabelos compridos. Esse foi mais um testemunho visível no bairro, para a família e os amigos. Assim, sua conversão contribuiu para que outras pessoas se entregassem ao Senhor. Ele conquistou para Cristo, os jovens Robison (de uma família importante do bairro, mas que era viciado) e Carlos Alberto Moros, que hoje é pastor em Barranquilla.

Chuva de bênçãos. Vários parentes desses jovens viciados se entregaram ao Senhor. Também, o fim daquela extrema escassez aconteceu da seguinte maneira: Cerca de sete meses após sua chegada a Cúcuta, em um domingo (era quase meio-dia), pouco depois do encerramento da escola dominical, a irmã Nair os chamou para almoçar. O cardápio era o costumeiro: arroz e batata, sem sal e sem óleo. Sulamita, sua filha mais velha, não conseguiu comer. Ela chorou e devolveu a comida ao prato. Isso foi o suficiente para a irmã Nair desabafar, dizendo: As crianças já não suportam mais. Estamos comendo um alimento que não tem sabor... E começou a chorar. Ao contemplar aquela triste e difícil situação, Satírio respondeu: Mas é o que Deus nos deu! Em seguida, os cinco começaram a chorar em torno da mesa. Era só o que lhes restava fazer. 

Naquele momento ele pensou: Por que estou passando por tudo isso? Por que não sou digno de uma ajuda financeira? Também, lembrou-se das seguintes palavras desencorajadoras que ouvira em território brasileiro: - A fé termina quando começa a fome. - A Igreja não reconhece esse tipo de trabalho. - Você vai ficar esquecido. Assim, enquanto se travava uma batalha em seu interior, para que ele não confiasse no Senhor e murmurasse, fez a seguinte oração em espírito: ‘Guarda-me, Senhor, para que eu jamais perca a confiança em ti e seja um murmurador. Pois tu és o meu pastor, e nada me faltará’. 

Depois, lembrou-se da oração que Jesus ensinou aos seus discípulos: ‘O pão nosso de cada dia dá-nos hoje’(Mt 6.11). Isso o fez compreender que aquele alimento (batatas insossas e arroz com sabor de querosene) era o pão que Deus lhes dava naquele momento. Assim sendo, pôde entender que o ‘pão de cada dia’ é aquilo que satisfaz ou ameniza a fome em determinado momento. Porém, ainda estavam à mesa quando ouviram batidas na porta. Pelo fato de está com os olhos inchados de chorar, ele foi primeiro lavar o rosto para depois abrir a porta. Ali estava um irmão da Igreja, Álvaro Jaimez, que disse o seguinte: Desculpe, o que eu quero é dizer que vocês me preocupam. Eu estava almoçando e senti uma profunda preocupação por vocês. E vim trazer isto aqui. E, sem mais palavras, foi embora. 

Ele trouxera trezentos pesos (talvez o equivalente a dez dólares). Portanto, o Senhor ordenara a um de seus servos que fosse levar aquele dinheiro para eles. Imediatamente, Satírio foi ao mercado e comprou sal, óleo e um pedaçinho de carne, para que a irmã Nair pudesse preparar o almoço. Embora já fosse um pouco tarde, naquele dia almoçaram bem. Daquele dia em diante, nunca mais faltou pão no seu lar. No tocante ao dinheiro que entrava nos cultos que eram realizados na pequena garagem, no primeiro mês de trabalho (entre os dias 05 de maio e 05 de junho) já podiam contar com trezentos e dezoito pesos, cerca de dez dólares (o aluguel que estava prestes a vencer era mil e trezentos pesos). 

Quanto ao transporte, apesar de estarem na cidade, os caminhos eram difíceis. Sem dinheiro para pagar a passagem era preciso caminhar com a irmã Nair e as crianças, cerca de quarenta minutos até o ponto de pregação no Bairro San Mateo, por exemplo. Entretanto, depois que o pequeno rebanho recebeu o ensino sobre a responsabilidade e as bênçãos que envolvem a contribuição, um novo convertido chamado Guillermo Rangel, na semana que vencia o aluguel, trouxe a sua contribuição para a Casa do Senhor, exatamente mil e trezentos pesos (o valor do aluguel). Assim, pouco a pouco, outros irmãos uniram-se a ele para também servirem ao Senhor com os seus dízimos e ofertas.

 A gloriosa presença durante a perseguição. Antes de subir ao céu, Jesus disse que estaria sempre com os seus discípulos (Mt 28.20b). Essa gloriosa presença jamais deixou de acompanhar o ministério de José Satírio. Entre as várias perseguições que ele enfrentou na Colômbia, vejamos apenas a seguinte: Em uma tarde de sábado, enquanto ele voltava de Ragonvalia, uma multidão com mais de trinta homens armados com enxadas, paus e facões, obstruiu o seu caminho. Três pessoas estavam com ele no carro (um obreiro chamado Contreras e duas professoras de escola dominical). Quando parou o Volkswagen, um homem armado de revólver aproximou-se dele e disse: Tenho ordem para matá-lo. Por quê? O que foi que eu fiz? Perguntou o missionário. - Não queremos essa praga aqui, disse ele. A praga referia-se aos crentes.

O homem repetiu a ameaça, dizendo: Tenho ordem para matá-lo, e vou matá-lo. Não tenho medo da morte – respondeu José Satírio. – Venho aqui pregar o Evangelho, trazer boas novas de salvação a vocês, a este povo que está aqui. A irmã Blanca, que nos empresta a casa, é uma pessoa conhecida na cidade. - Ela traiu a fé, a religião de seus pais – vociferou o homem. – E o sacerdote mandou fazer esse trabalho, e vou fazer. Então ele apontou o revólver para José Satírio. Porém, ele perguntou: - Que religião é essa, que manda matar o próximo? O mandamento do Senhor é: ‘Não matarás’. Apesar do frio característico de um lugar de altitude superior a dois mil e quinhentos metros, o homem começou a suar. Vendo que fraquejava, continuou: - Saiba de mais uma coisa: é onde se derrama sangue de crente que nasce as maiores Igrejas. Depois de ouvir essas palavras, o homem abaixou o revólver, recuou um passo e deu um chute na porta do carro. Então, Satírio começou a conduzir o carro vagarosamente. Enquanto abriam caminho, os homens enfurecidos começaram a atirar paus e pedras no carro. Porém, nada os atingiu. Hoje há uma congregação em Ragonvalia, e alguns dos homens que participaram do ataque são membros da Igreja.

A primeira oferta recebida do Brasil. O período da escassez chegara ao fim, exatamente quando eles já estavam sem sapatos, com as roupas gastas e a comida ainda mais racionada. Naquele momento, o Senhor mobilizou a Igreja Assembleia de Deus em Matão (Estado de São Paulo), através do pastor Manoel Tributino, para enviar-lhes uma oferta. A chegada da primeira oferta do Brasil foi motivo de muita alegria. Portanto, sem pensar duas vezes, foram depressa ao mercado e compraram comida, roupas e calçados. Um dos meninos, que não se lembrava de tanta fartura, disse a irmã Nair: Mamãe, já estamos ficando ricos! Sim, filho, sim! – Disse ela. A generosidade da Igreja de Matão foi uma bênção para o missionário Satírio e sua família. Com esse gesto, os irmãos de Matão e seu pastor exemplar, Manoel Tributino, abriram uma porta para que outras Igrejas também cooperassem com essa importantíssima obra. ‘Gostaria de abrir um parêntesis aqui para agradecer ao pastor Manoel Tributino e a Igreja de Matão, pelo seu apoio durante o tempo que trabalhamos em Concordia (Provincia de Entre Ríos, Argentina). Durante quase três anos, os irmãos de Matão jamais deixaram de enviar mensalmente para nós, cem dólares. Que o Senhor lhes recompense com ricas bênçãos espirituais’!

A visita dos pastores brasileiros. Dois anos depois de estarem em Cúcuta, os pastores Manoel Tributino e José de Oliveira foram enviados pela Igreja Assembleia de Deus em Matão, com o propósito de conhecer o recém-fundado trabalho em Cúcuta e confirmar a fé dos irmãos. O apoio desses pastores ajudou o novo trabalho, inclusive desfez quaisquer dúvidas que porventura pudessem existir sobre o seu ministério. Assim, essa visita provou que o missionário Satírio não era um aventureiro ou oportunista, mas um servo de Deus interessado unicamente em espalhar o Evangelho de Cristo. As boas novas levadas ao Brasil por esses dois pastores, devolveram a confiança aos líderes da Igreja Assembleia de Deus do ministério do Belém (SP). No ano seguinte, o pastor Manoel Bezerra, que na época dirigia o setor de São Miguel Paulista (zona leste de São Paulo), participou da primeira escola bíblica do recém-fundado trabalho missionário em Cúcuta. Essa comunhão contribuiu para que o missionário Satírio fosse convidado a relatar suas experiências aos obreiros paulistas em uma escola bíblica no Belenzinho. Seu testemunho ajudou a ampliar a visão missionária de muitos obreiros paulistas. 

Um trabalho exemplar. Os primeiros três anos foram de trabalho intenso. O resultado desse trabalho, é claro, foi o crescimento da Igreja. Portanto, já era hora de procurar um local maior para a Igreja. No seu livro (Missão em cúcuta), Satírio relata detalhadamente como o Senhor abriu a porta para eles comprarem uma área do tamanho de uma quadra inteira, no centro de um bonito Bairro de Cúcuta, Los Pinos. Ali, milagrosamente foi construído um lindo templo. Hoje, na grande área, além do templo (com capacidade para abrigar milhares de pessoas sentadas), funciona também o Colégio Acadêmico Ebenézer, uma livraria evangélica, uma lanchonete e uma loja que vende roupas. Em janeiro de 2004, quando estive em Cúcuta, a Igreja dirigida pelo missionário José Satírio nessa cidade, já contava com mais de vinte mil crentes. Nessa ocasião estive em um lindo restaurante da Igreja (com área de lazer), no centro da cidade. Além desse lindo restaurante, a Igreja possui cinco Rádios: duas em Cúcuta (a Rádio Guaimaral e a Rádio Tasajero) e três Fms – uma na cidade de Chinacota, no povoado de La Donjuana, outra na cidade de Montéria e a terceira em Sincelejo.

Em todo o país (Colômbia), o ministério fundado pelo missionário José Satírio já conta com mais de 60 mil crentes. Além da Igreja que está no Bairro de Los Pinos e várias congregações espalhadas pelos Bairros de Cúcuta, esse ministério também fundou várias Igrejas em outras cidades do país e fora dele. Nos anos 90 fundamos duas Igrejas na Venezuela (em San Cristobal, capital do Estado Tachira, e em Tariba; essas duas cidades estão situadas a menos de 60 km de Cúcuta). Quando fomos para Maceió (em abril de 1998) essas duas Igrejas ficaram sob a responsabilidade do ministério de Cúcuta (nesse tempo, o trabalho contava com poucos crentes). Depois de quatro anos, quando estive em San Cristobal, em 2002, o missionário Eliseu (filho do missionário José Satírio), que na época dirigia o trabalho, me disse que essa obra já contava com mais de 1000 crentes.

A chama missionária que o Senhor acendeu no coração de José Sarírio, quando ele ainda se encontrava em solo brasileiro, jamais se apagou. Portanto, o avivamento que o Espírito Santo iniciou em Cúcuta, por seu intermédio, se estendeu por toda a cidade e já se encontra em muitas partes da Colômbia e em outros países. Os talentos que o Senhor lhe confiou foram multiplicados. Você gostaria de imitar a fé desse valoroso servo de Deus, que continua conquistando almas para o Reino de Deus? Deus deseja levantar um exército de soldados valentes (como José Satírio), neste início de século, para atender o clamor das pobres almas que estão morrendo sem a salvação (At 16.9). Peçamos ao Senhor obreiros para o campo missionário, que está deserto (8.26). 

A maior parte do material usado nesta pequena biografia é um resumo das páginas (15-17, 20-22, 25, 26, 30-32, 36-42, 48-55, 75-83, 88, 98, 104-108, 130, 146, 147, 158, 160, 207, 208) do livro “Missão em Cúcuta”. (Adaptado).

quarta-feira, 15 de junho de 2016

VIDA DE PASTOR

VIDA DE PASTOR

É aquele que tem que ser o exemplo, tem que ter família exemplar, uma vida íntegra , não pode faltar no culto, tem que visitar todos os necessitados, faz velório de manhã e muitas das vezes no mesmo dia faz casamento de noite...se tem dinheiro é ladrão, se não tem é porque alguma coisa está errada, se trata bem as pessoas é bajulador, se não dá a devida atenção as pessoas é porque não liga pra ninguém,  se cobra os membros as suas responsabilidades é ditador, se não cobra é porque é mole, se dá muita oportunidade é porque não tem palavra, se não dá é porque só ele quer falar, se segue a mesma liturgia sempre é porque é metódico, se muda a liturgia é porque é inovador demais...todos podem errar , ele não...cuida da depressão de muitos, mas ele não pode ficar deprimido...tem hora que exerce a função de médico, hora de psicólogo...as vezes advogado, juiz...pra alguém dormir às vezes ele perde o sono, se visita as pessoas é porque não sai da casa dos outros, se não visita é porque não gosta de visitar, se pessoas saem da igreja...o pastor está perdendo! Se recebe muitas pessoas é porque está aceitando gente de tudo que é jeito. Para muitos chegar atrasado no culto é normal, mas se o pastor atrasar é relaxo.
Férias para todos é descanso, para o pastor é "vida mansa".
Isto é só um pouco do que é ser pastor!
Para muitos pode parecer loucura querer ser pastor, mas para nós que somos é uma honra!
Ser pastor não é para quem quer...MAS PARA QUEM DEUS CHAMA!

Por
Pr. Cassio Castelo

sexta-feira, 11 de março de 2016

O amor: o maior de todos os dons


Borboleta pousa em flor dentro de um jardim. title "O amor, o maior de todos os dons
"Como o Pai me amou, assim também eu vos amei; permanecei no meu amor. Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor; do mesmo modo que eu tenho guardado os mandamentos de meu Pai, e permaneço no seu amor. Estas coisas vos tenho dito, para que o meu gozo permaneça em vós, e o vosso gozo seja completo. O meu mandamento é este: Que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei" -  João 15. 9-12.

A mensagem da Bíblia começa com amor e termina com amor. Tem início com o casamento de Adão e Eva no Jardim do Éden e termina com a união de Cristo e sua igreja no Apocalipse. Gênesis 2.18, 21-24;  Apocalipse 19.6-8.

O amor é o bem supremo a ser anelado por homens e mulheres, adultos, jovens e crianças. Amar é a maior experiência de um homem no curso de sua existência. Amar é a maior experiência do homem no curso da sua vida.

É claro, não me refiro ao amor platônico que se ama de perto como se longe estivesse, porque julgam ser o amor impuro por natureza e contamina a alma. Também não estou fazendo referência alguma ao amor livre, sensual, imoral; que degrada, degenera e que transforma o belo na pior espécie de esgoto urbano.

Deus é amor

Por que desejamos o amor? Desejamos o amor pela sua origem: "Deus é amor”.

O apóstolo afirma: "E nós conhecemos, e cremos no amor que Deus nos tem. Deus é amor; e quem permanece em amor, permanece em Deus, e Deus nele. Nisto é aperfeiçoado em nós o amor, para que no dia do juízo tenhamos confiança; porque, qual ele é, somos também nós neste mundo. No amor não há medo antes o perfeito amor lança fora o medo; porque o medo envolve castigo; e quem tem medo não está aperfeiçoado no amor" - 1 João 16-18.

Amor. Esta foi a única forma encontrada na Bíblia para definir Deus. Desejamos o amor porque o amor é de Deus.

Como porta-voz da mensagem de Deus, escreveu muito bem Jeremias, 31.3: “Com amor eterno Eu te amei”. O amor não é como uma árvore seca; como nuvens da manhã que passam ou a relva que murcha e seca, mas é como as montanhas que sempre estão firmes. Entra ano e sai ano, elas permanecem inabaláveis. Tudo ao redor pode mudar, elas não. Continuam sempre lá, imponentes, desafiadoras, dominando a paisagem.

Jesus é a encarnação do amor de Deus.

Onde encontramos Jesus? Com os pecadores. Com a multidão aflita e sofrida que vivia como ovelhas sem pastores, no meio de lobos famintos e vorazes.

O encontro de Jesus com a mulher samaritana foi o encontro do amor com o ódio cruel e racial. Qual dos dois você imagina que venceu: o ódio ou o amor? O amor é o único sentimento e a única arma que pode vencer o ódio. João 4.4-30.

Sem Jesus pode faltar amor, vão sobrar mágoas, ódio, revolta, repulsa, amargura, aversão, antipatia, desprezo e indignação.

O amor é o dom supremo

O amor está por todas as partes da Bíblia: ele está presente na história da criação; ele está presente na história da redenção; ele está presente na história de cada um de nós.

Cantares de Salomão é um livro fácil de ser lido e entendido porque retrata a história de duas pessoas que se amam.

Gostamos muito de João 3.16 porque retrata, em poucas e inconfundíveis palavras, a história irrefutável do amor de Deus por nós.

Aprendemos bastante sobre o amor lendo 1 Coríntios 13.

O amor é maior que a eloquência. Amor não é uma questão de linguagem, de teoria, mas de prática – “ainda que eu falasse a língua dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa e o sino que retine”, versículo. 1.

O amor é maior que a profecia. É maior do que a capacidade de predizer coisas passadas, presentes ou futuras: “ainda que eu tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e ciência, mas se não tiver amor...”, versículo 2.

O amor é maior que a fé. A fé aponta para cima, enquanto o amor aponta para todos os lados: “ainda que eu tivesse toda a fé, de tal maneira que transportasse os montes e não tivesse amor, nada seria”, versículo 2.

O amor é maior que os nossos conceitos humanistas: “ainda que eu distribuísse todos os meus bens para o sustento dos pobres, se não tiver amor...”, versículo. 3;

O amor é maior que qualquer sacrifício que o ser humano possa fazer: “ainda que eu entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria”, versículo 3.

Anelamos pelo amor devido ao seu valor, pela sua qualidade. Paulo defende o amor porque o amor é bom, justo, se alegra com a verdade – se porta com decência; é justo nas suas atitudes com o próximo – de pensar, sentir e agir, e ele é verdadeiro no seu relacionamento. Romanos 7.12; 1 Coríntios 13.5, 6.

Queremos o amor pelas qualidades que ele tem. E uma das grandes qualidades do amor é que ele não falha. O amor é maior do que os dons espirituais. A profecia pode falhar; o amor, não. A fé, num determinado momento de fraqueza, pode falhar. Revelações podem falhar. O crente pode falhar no exercício dos dons espirituais e no seu testemunho pessoal; só não falha quem ama. 1 Coríntios 13.8.

Paulo resume magistralmente a conduta de quem realmente ama: “o amor seja sem hipocrisia”, mesmo porque hipocrisia não combina com amor: “o amor não pratica o mal contra o próximo”, porque essa é a sua natureza. Romanos 12. 9; 1 Corintios 13.10.

Suspiramos pelo amor porque ele é eterno: “o amor jamais acaba”. Na vida tudo é transitório, menos o amor. Permanecem a fé, a esperança e o amor. Estes três. Mas o maior destes é o amor porque é o único que jamais tem fim.  Coríntios 13.13.

O exercício do amor

• Lucas 10.30-37. A lição na parábola do Bom Samaritano.

Somos chamados para amar o excluído social, o anônimo. Atos de bondade são vistos na parábola do Bom Samaritano que inspira atos de misericórdia até os dias de hoje. No amor não há espaço para agir com indiferença ao necessitado, como fizeram o sacerdote e o levita, tendo como desculpa o compromisso de servir no templo.

No amor não há hipocrisia como bem enfatiza a narrativa sobre a conduta reprovável expressadas na ingratidão e traição Judas Iscariotes, João 13.2, 27-30.

• Lucas 15.11-32. A lição na parábola do filho pródigo.

Vemos esse amor na expressão reconciliadora do pai com o filho pródigo: quando reabilita o filho.

Há uma dúvida sobre a qualidade do amor quando o pai do filho pródigo entrega ao filho menor a parte da herança pertencente a ele. O pai pode chamar isso de amor, mas um psicoterapeuta vai chamar isso de paternidade irresponsável. Isso é amor? O pai não dialoga, não resiste a vontade do filho perdulário. Ele simplesmente atende o pedido. Agora, quando o pai reabilita o filho maltrapilho, malcheiroso e mal de tudo – incontestavelmente, isso é amor.

O amor impõe termos, usa o bom senso, sabe dizer não. Amar não é concordar sempre. O amor determina limites; o perdão não. O perdão não conhece medidas.

• João 11.16. A lição na atitude de Jesus diante do julgamento da mulher adúltera.

Quando Jesus ministra perdão à mulher pecadora, não discute o tamanho do pecado dela. Ele é a expressão do amor puro, que une, que jamais divide. Não a discrimina e nem a humilha. Amar é perdoar sem exigir nada em benefício próprio. Perdoa-a e repreenda-a brandamente: "Vá e peques mais". 

Considerações finais 

Então, vamos seguir o que a Bíblia recomenda sobre o amor? Você tem amado? Que as palavras do Senhor dirigidas a Efraim e Judá - que fingiram amar -  não sejam para nós: “Que te farei, ó Efraim, que te farei, ó Judá, porque o vosso amor é como a nuvem da manhã e o orvalho da madrugada que cedo passam” -  Oseias 6. 4.

Hoje este amor está entranhado em mim e em você. A nossa história tem de ser uma de quem ama e não de quem é indiferente ao sofrimento alheio e de quem odeia. Quem não ama não passou pela vida; e é melhor não viver do que viver e não amar. Até os animais amam.

Não podemos entender nada em nossa vida em nem na Bíblia se não for através do amor.

O amor: o maior de todos os dons, autoria de Joaquim Vidal de Araujo. Artigo publicado originalmente no Jornal Aleluia, edição fevereiro de 2008. Extraído do site www.iprb.org.br. Postagem realizada neste blog com adaptações.

terça-feira, 18 de agosto de 2015

MODISMOS DA ATUALIDADE


VIVEMOS uma época de vários modismos...
Em algumas igrejas esses modismos tem entrado e influênciado o comportamento e o linguajar de alguns crentes. Esse tem sido o vocabulário em algumas igrejas...
É manto...é forte... Eita Deus...fala vaso ...queima ele... rs
Geralmente profetizam ao mesmo tempo enquanto a palavra está sendo pregada...já presenciei nestes cultos pessoas correndo no corredor e se acidentar com outro que vinha na contramão ... teve uma vez que o "vaso" pegou na mão de uma pessoa q estava sentada para leva-la para marchar no corredor...mas a mãe da moça segurou na outra mão e não deixava ela ser levada pelo vaso...rs...em outra oportunidade vi um jovem sair da sua cadeira e  correr no corredor, quando voltou e foi sentar errou a cadeira e caiu no chão... Já estive em culto em que chamam as pessoas a frente e afirmam q pessoas foram batizadas...sem contudo falarem línguas... Dizem por aí que esses são os cultos pentecostais, ou seja o manto, forte,etc.

Sou pentecostal, creio no poder de Deus e
faço parte de um grupo de crentes que falam línguas... Creio nos dons espirituais, nas profecias... Só não compactuo com modismos que trazem mais confusão do que edificação... Tive pastores como Valdir Nunes Bicego, José Prado Veiga...  Que nunca vi correr pelos corredores dizer que é forte ou manto, nem chamar alguém de vaso principalmente sem ser...FAÇO PARTE DESTA ESCOLA e o que aprendi quero levar comigo e ensinar aqueles que tem vontade de aprender...TENHO COMO MODELO CRISTO QUE SE LEVANTAVA NA SINAGOGA OU NO MEIO DA MULTIDÃO E PREGAVA A PALAVRA...
É isso!
Não precisa inventar nenhuma moda.

Teologia, Devocional e informação do cenário evangélico